Viver em paz

Num dia de pensamentos absortos e violentos, em que a paz parece residir a milhares de quilômetros, encontrei este livro em um dos lugares mais improváveis.

Todos sabem como é uma tarde de sábado em um supermercado e tudo o que você não espera encontrar é um pouco de paz. Imbuído de uma raiva anestesiante, fui capturado pelo verde e preto da capa do livro do professor Cortella, de quem tantas vezes já assisti palestras. Lembrei de sua figura paternal e da precisão e leveza de suas palavras. Mas, no fundo, o que me fez pegar o livro de verdade foi o título: “Viver em paz para morrer em paz”.

Como paz era tudo o que eu queria, lá estava o livro entre caixas de leite e pacotes de macarrão. E nas últimas horas tive um pouco de paz absorvendo os ensinamentos do professor, cujo alguns fragmentos transcrevo abaixo:

“Meu pai acatava minha escolha pelo Santos porque sabia que no futebol, assim como a religião e as preferências musicais, pertence ao território da paixão, do irracional, do gosto que não se discute – apesar de a irracionalidade, não raro, descambar para o fanatismo, que é uma suspensão violenta do juízo e da razão”.

“A paixão agride, suspende todas as referências, suspende o tempo e o espaço. A paixão é a suprema negação do óbvio”.

“Uma pessoa que te ama, é aquela que guarda o teu amor consigo. Quando ela deixa de te amar, ela também deixa de guardar o teu amor dentro dela.
Assim, o amor é um sentimento de pertencimento recíproco que almeja a plenitude. No fundo, o amor é uma identidade, pois eu me encontro no outro ou na outra. O amor tem turbulências mas ele não é confrontante e sim conflitante. O amor, ao contrário da paixão, oferece paz – sendo que paz não é a ausência de conflitos, e sim a capacidade de administrar conflitos para que não haja ruptura. Assim, se você consegue guardar o meu amor, se cuida dele, eu fico. Mas se não o cuida nem o guarda, eu parto”.

“Poucas coisas na vida são melhores que a gratuidade de um gesto, aquilo que vem de graça. É o abraço espontâneo, o beijo roubado, a mão no ombro, o gesto certo no momento em que não seria necessário fazê-lo. É a graça que desperta o sentimento genuíno de agradecimento por sua gratuidade. É a graça da gratidão”.

 

 

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